domingo, 4 de maio de 2008

Pontos para reflexão de uma "Carta" que desqualifica a questão racial!

Título: A integração do negro na sociedade de classe - vol I
Autor: Florestan Fernades
Editora: USP
Ano: 1965

Amigos,



Li a “Carta do 113 Cidadão não-racistas contra as lei raciais.” (Segue em anexo para exame de cada um). É muito triste constatar que, passados 44 anos da defesa da tese de livre docência de Florestan Fernandes “A integração do negro na sociedade de classes”, os mesmos argumentos e atitudes explicitados e desmistificados (no sentido sociológico do termo) pelo autor na análise do “Mito da Democracia Racial” constituem o pilar da estrutura argumentativa da Carta. O tempero adicional vem com a aura científica da descoberta genética de que “raças humanas não existem”. A análise do mito efetuada por Florestan não está, em momento algum, fundada em uma concepção racialista ou naturalizante da raça, mas na concretização de práticas, comportamentos e crenças sociais que não desprezam, ao contrario reafirmam, mesmo quando negam, uma hierarquia fundada em critérios raciais. Para aqueles que não conhecem, recomendo a leitura do capítulo 1, Parte II, do volume I de A Integração do negro na sociedade de classes, denominado “O mito da “democracia racial””( p. 194-210, na edição da Editora Dominus, 1965). Para aqueles que já conhecem, recomento uma releitura atenciosa e comparativa entre os dois “documentos”. Também recomendo o Quadro 7.1 “Cotas Raciais nas Universidades Brasileiras: Promoção de Justiça ou Racismo às Avessas?” sistematizado por Ronaldo Sales para o livro Sociologia sua Bússola para um novo mundo. (Brym, Robert at all, São Paulo, Thomson, 2006, p. 241)
Está claro que podemos concordar com vários aspectos da Carta, queremos uma sociedade plenamente democrática em que a raça, a cor da pele, a religião, a cultura não sejam definidoras de vantagens ou desvantagens. Mas desqualificar a questão racial nos termos em que o documento coloca não me parece um passo à frente em direção à superação do racismo. Antes um passo atrás no ocultamento de seus mecanismos perversos de manutenção de privilégios. Se a tarefa do cientista social é ver além das fachadas, um convite concreto está lançado a partir da carta-manifesto: o que ela de fato revela e o que ela de fato oculta?



Eliane Veras

2 comentários:

Juçara Figueiredo disse...

A enquete sobre o número de homicídios de Recife está total e absolutamente tendenciosa, induz sempre a mesma resposta, ou seja, que Recife não mascararia seus dados, diversamente de outras cidades. Acho que uma verdadeira enquete deve ser colocada de modo neutro para que haja uma real avaliação dos que venham a votar. Da forma como está posta, não votarei. Um beijo na blogueira.

per Irene Cardoso disse...

Como disse Ariano Suassuna, por que se preocupar com os inimigos? eles não saem com vc, não comem com vc, e nem leiem seu blog... rs Mas os amigos...
Juçara, amiga, vou entrar no tema com mais profundidade, e aí quem sabe refazer a pergunta.
Confesso, que na minha opinião, acredito que nossos dados são mais verdadeiros...
Mas vou supender a enquete e deixar para um momento propício.
Obrigada, amiga!