quarta-feira, 14 de maio de 2008

Atos retomam discussão sobre cotas para negros

14/05/2008 - 02h31
da Folha de S.Paulo
Documento entregue ao STF (Supremo Tribunal Federal) defende manutenção de cotas como um mecanismo de inclusão social e afirma que proposta contrária ao sistema é "caminho regressivo". O documento tem 740 assinaturas e foi batizado de "Manifesto em Defesa da Justiça e Constitucionalidade das Cotas". Ele sustenta, entre outros argumentos, que a política corrige desigualdades raciais históricas no país.
A questão das cotas para negros em universidades ganhou fôlego nos últimos dias em razão de manifestações de grupos favoráveis e contrários à política.
As ações se concentram na Câmara dos Deputados, onde tramita projeto de lei que institui a política de cotas, e no STF (Supremo Tribunal Federal), que vai julgar duas ações diretas de inconstitucionalidade sobre o tema.
Ontem, defensores das cotas vão à Câmara pedir a aprovação do projeto --sem ele, são as universidades que decidem se adotam ou não o sistema, o que dá margem a contestações judiciais.
À tarde, foi entregue um manifesto com mais de 400 assinaturas ao presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, em que pedem a rejeição das ações contra as cotas. Entre os signatários estão o arquiteto Oscar Niemeyer e o ator Lázaro Ramos.
Leia aqui a íntegra do manifesto a favor das cotas e quem o assinou

Um comentário:

tilemon disse...

A questão é deveras complexa. A minha posição é de cotas para os alunos que cursaram, pelo menos o ensino médio, em escola pública. Tal instrumento deveria ter prazo delimitado no tempo. O fundamental é lutar-se bravamente pela qualidade do ensino, como implantação de regime escolar integral. Em verdade as cotas podem ser um frágil paliativo, posto que não basta ingressar na Universidade. É imprescindível fornecer condições para que o beneficiado conclua, efetivamente, o curso. Quantos conseguiram se formar em medicina ou odontologia? O nosso país só crescerá com investimento honesto em educação, principalmente no fundamental e médio. Uma construção sem base sempre cai ou fica estagnada!