Franklin Ramirez nos coloca as seguintes reflexões:
O PT teria alcançado essa força, sem a figura forte e carismática de Lula?
O que acontecerá quando os governos progressistas saírem de cena e não houver uma posição forte nos parlamentos?
O que acontecerá com as novas lideranças sociais quando esses 3 ou 4 caudilhos deixarem o poder?
O que vocês acham?
terça-feira, 27 de maio de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Esquerda e Direita na América Latina

Essa semana vamos voltar nossas atenções para a América Latina, pois comecei o blog postando sobre o Paraguai, e seria interessante retornarmos o assunto do ponto de vista do significado da eleição de Lugo, oitavo presidente de esquerda eleito na América Latina. Existe esquerda boa e esquerda ruim? E o recente acordo Irã-Colômbia passa a significar o quê? Para começar transcrevo uma entrevista do cientista político equatoriano Franklin Ramirez, que assisti no programa MILÊNIO, na Globo News, o qual me deixou muito satisfeita com o teor da conversa e apesar da trabalheira que deu transcrever toooooda a entrevista fiquei muito feliz por que aprendi muito. Vale a pena conferir no site da Globo News a entrevista, mas resolvi registrar por escrito para ficar ainda mais acessível a quem tem net lenta. Abraços a todos e a todas minhas três leitoras, RS.
O cientista político Franklin Ramirez fala sobre o que é ser de esquerda e direita no mundo globalizado e, explica por que a política latino-americana vem se repetindo nos últimos dez anos:
Franklin Ramirez: 01
M: Queria começar com uma definição mais clara sobre os conceitos de direita e esquerda no mundo globalizado de hoje onde os terrenos não são tão definidos quanto no século passado e onde as políticas se misturam.
Como definir esses campos de direita e de esquerda?
Como definir esses campos de direita e de esquerda?
R: Acho que, embora os campos políticos e ideológicos não sejam tão delimitados como antigamente, há valores e princípios políticos que ainda diferenciam uns campos de outros. Mas não há uma unidade forte de direita e de esquerda, há valores e princípios que são reivindicados por políticos, por movimentos de direita e esquerda e que guiam seus eleitores, os cidadãos, a sociedade... Nesse sentido há dois valores fortes que a esquerda voltou a reivindicar com a mudança de século e a sociedade globalizada. O primeiro, eu diria, é a igualdade, o valor que deu origem à esquerda, que originou o progressismo, a Revolução Francesa, a idéia de abolição, dos privilégios, a idéia de que todos devem ter a mesma chance de exercer suas liberdades e faculdades. Esta idéia de igualdade está mais articulada com o princípio da auto-realização, com a liberdade de se auto-realizar e não só com a idéia de não sofrer a interferência do Estado. Este princípio de redistribuição igualitária voltou à cena política, principalmente na América Latina. Outro princípio forte no âmbito da globalização tem a ver, com a recuperação de noção da soberania nacional, da soberania popular. É um princípio situado historicamente no contexto da abertura de mercados, de enfraquecimento de alguns estados nacionais, de várias instituições internacionais influentes na política econômica e estrutural dos Estados, principalmente no hemisfério sul. Este princípio de soberania no séc.XXI não se limita a afirmar a soberania dos estados sobre a sociedade. É um princípio de autodeterminação dos povos, da sociedade, que não se apresenta como no século passado, como uma sociedade fechada em si mesma. As esquerdas latinas, no governo ou não, vem implementando há mais de uma década o princípio da integração regional como um processo estruturante de um novo cenário político e econômico. Não é apenas o efeito de alianças nacionais entre estados. É uma pré-condição para que os estados possam avançar em suas agendas políticas e econômicas. É uma mistura de soberania popular, nacional, sem se fechar em si mesma, mas buscando uma projeção regional, como plataforma política, como condição política para abrir a negociação de reformas progressistas no mercado internacional, com instituições internacionais, como os Estados Unidos e entre os estados.
Franklin Ramirez: 02
Forma como o Jornal Extra, do Rio de Janeiro, publicou matéria emque Lula e Cabral entregavam à polícia carros para o Pan 2007. A imprensa divulgou que a segurança estava sendo maquiada para o evento.M: Para definir melhor a direita, quais são os valores que orientam esses campos?
R: O principal valor defendido pela direita, atualmente e desde a década de 1990 é a idéia do princípio de liberdade individual, a idéia de segurança, associada à idéia de liberdade como não-interferência. A segurança política confere estabilidade para o mercado, mas há a idéia de segurança como um valor que chega a se sobrepor ao princípio da liberdade, principalmente depois do 11 de setembro nos EUA. A segurança permeia o discurso de políticos locais, prefeitos, governos e de movimentos sociais, incluindo aqueles que surgem com esse discurso, que além de tudo desconserta a esquerda. A esquerda não tem capacidade de reagir. Ela apresenta apenas uma resposta convencional: “Primeiro resolvemos os problemas econômicos. Com isso a questão da segurança se soluciona.” Mas as coisas não são bem assim. O problema da violência e da insegurança tem uma lógica própria, que exige respostas e políticas públicas específicas.
Franklin Ramirez: 03
Congresso destituir o presidente Lucio Gutiérrez,
20 de abril de 2005. (Foto: Guillermo Granja/Reuters)
M: O quadro político na América Latina mudou muito. Você diz que: “Nunca antes, partidos, coalizões ou movimentos políticos tidos como de esquerda conseguiram se eleger democraticamente quase ao mesmo tempo para ocupar o governo de tantos países.” Como explicar essa simultaneidade?
R: Há um fator estrutural e histórico relacionado ao fim do ciclo de reformas neoliberais, das políticas de consenso de Washington para gerar maiores níveis de bem-estar social ao povo. Os efeitos foram medíocres em quase todos os países. Progressivamente as sociedades latinas se desencantaram com políticas que já haviam apoiado. O desencanto estava ligado aos baixos rendimentos econômicos. E há um terceiro fator: há uma distância estrutural da agenda econômica, o que gera um desgaste cada vez maior na classe e nos partidos políticos. Na queda De La Rua em 2001, ouvimos nas ruas estas frases: “Fora todos”, “Nenhum deve ficar”. Em 2005 na queda de Lúcio Gutierrez, no Equador, escutou-se a mesma frase: “ Fora todos”. A sociologia fala de contágio de discursos, contágio de repertório de ação, mas o contágio não se dá no vazio, e sim no âmbito de processos estruturais, mais ou menos homogêneos e comparáveis. Isso se articulou no fim dos anos 90 com a chegada de partidos progressistas tradicionais, como o PT no Brasil; Frente Amplia, no Uruguai; até o Partido Socialista Chileno...
Franklin Ramirez: 04
Os presidentes Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia), Lula (Brasil), Michelle Bachelet (Chile), Hugo Chávez (Venezuela) e Nicanor Duarte Frutos (Paraguai), durante encontro na 32ª Cúpula do Mercosul/2007M: E os movimentos Sociais...
F: E como o surgimento de líderes não-oriundos dos partidos clássicos como Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, mas que estavam próximos aos movimentos sociais. Não são os mesmos atores sociais, com o mesmo histórico, o mesmo nível universitário, a mesma cor de pele dos atores sociais dos anos 90. Alguns estudos eleitorais sobre o voto nas últimas eleições na América Latina mostram que há um apoio dos setores...
Franklin Ramirez: 05

"Tive uma infância dura, e meu pai, desempregado, levou drogas para os Estados Unidos e foi preso. Passou três anos e meio numa prisão."Rafael Correa, presidente do Equador, confirmando revelação sobre seu pai, morto há treze anos, feita pelo deputado oposicionista Luis Almeida.
M: Há uma identificação...
R: Há uma identificação étnica, social, sociológica, que confere forte apoio popular a esses governos das classes mais baixas. Os novos governos recuperam um voto perdido nos anos 90 para líderes fortes e carismáticos como Menen, Fugimori, Collor. Foram líderes fortes, apoiados por setores populares. Mas esse voto foi recuperado por líderes de esquerda, e não foi um fato isolado.Esses líderes ganharam 2 ou 3 eleições... Isso significa que não é apenas uma condição de caudilho. Há alguns processos políticos que tomam forma através dessas lideranças. Evo Morales venceu duas eleições, Rafael Correa venceu uma, Lula ganhou duas eleições, assim como Kirchner e como o socialismo chileno. Chavéz já ganhou nove ou dez eleições. Há algo mais do que a figura do caudilho, embora a figura do caudilho seja importante em todos esses processos políticos.
Franklin Ramirez: 06

Ninguém melhor para vencer o desafio de escrever uma biografia de Che Guevara do que o mexicano Jorge Castañeda. Respaldado por sua larga experiência no estudo da esquerda latino-americana, ele seguiu as pegadas do revolucionário desde que este era apenas um garotinho até seu sacrifício final nas mãos do exército boliviano.
M: Muitos intelectuais latino-americanos, a começar pelo ex-ministro das Relações exteriores do México, Jorge Castaneda e também Carlos Fuentes, André Oppenheimer adotaram uma divisão dicotômica e maniqueísta das esquerdas nos governos latinos – uma esquerda má e uma esquerda boa – dependendo dos pontos de vista. O que acha desses critérios?
F: A tese das duas esquerdas surgiu em 2004, 2005. Castaneda foi o primeiro a tratar da questão. Para a boa esquerda, a esquerda racional, sempre segundo Castaneda, há uma visão de que a mudança tem que ser gradual, negociada através de canais institucionais. Nem sempre as mudanças são possíveis. Há uma visão mais austera e pragmática da política. Enquanto isso para a esquerda má e populista, as mudanças podem e devem ser radicais, totalizadoras, sem negociação, sem consenso e sem intermediação institucional.
Franklin Ramirez: 07

M: Mas com exceção de Cuba, nenhum desses países, deu sinais de que romperiam com as instituições ou com a estrutura de acúmulo capitalista...
F: O problema da tese das duas esquerdas é que não há uma análise histórica concreta do que ocorre em cada país. Há muito mais do que duas esquerdas.
M: Há pontos de contatos...
F: Sim, há pontos semelhantes. Mas cada governo, cada coalizão política, que ocupa o governo, responde a uma conjuntura nacional particular, responde às heranças institucionais políticas, do neoliberalismo, e também responde à capacidade de mobilização que os governos têm na sociedade de acordo com a força dos movimentos sociais e da participação social no conjunto. Estas variáveis são diferentes em cada país, e muito. Não se pode esperar que o governo de Michele Bachelet se apóie nas mobilizações sociais, nas organizações populares, em se tratando de um sistema político forte, com ação coletiva de movimentos sociais que não têm a contundência do caso boliviano, que desempenha um papel dinamizador da agenda política, que até arrisca a estabilidade do sistema político, mas que também soube ativar a conexão entre sistema político e cidadania. Não são os mesmos perfis. Quando Castaneda e companhia dizem que Chavéz quer ir além do capitalismo...Chavéz tem uma boa relação com os bancos privados. Os bancos cresceram muito em seu país. Teve lucros incríveis nos últimos anos. A relação com as petroleiras, inclusive com os EUA, é igual: o comércio está aberto. Chavéz sempre fala disso, não mudou. O padrão de acúmulo da economia venezuelana, que não nasceu com Chávez, e sim, com Carlos Andréz Perez, nos anos 70, sem manteve. É uma política baseada no capitalismo de estado com grande capacidade de retribuição à sociedade, com baixa diversificação produtiva, em setores como agricultura e alimentos. A Venezuela importa quase tudo. O padrão da política econômica que privilegia as finanças em detrimento da produção não foi modificado. O que mudou muito na Venezuela foi o padrão de redistribuição social. O governo da revolução bolivariana, como Chávez gosta de se autodenominar, teve uma política de distribuição voltada ao povo. Nem sempre foi muito eficaz, o que é um problema grave do Estado Venezuelano. É um problema da eficácia do aparato estatal, que não se compara, por exemplo, ao nível de expertise e institucionalização do estado social brasileiro.
Franklin Ramirez: 08
M: Esses são justamente os países mais polarizados, que enfrentam grande polarização da sociedade e uma instabilidade política. Os governantes tendem a culpar a instabilidade política como sendo obra dos EUA e do conservadorismo de suas elites. Mas os críticos falam também de uma ausência de visão estratégica, de incompetência desses governos. Quem tem razão?
F: Os dois argumentos têm razão. Efetivamente os setores políticos tradicionais, as elites conservadoras, os partidos que dominaram a vida política desses países nos últimos anos não entraram em uma lógica de negociação, não se adaptaram ao processo de mudança. Eles mantêm um discurso, uma histeria política muito exacerbada, em relação às ações tomadas por esses governos progressistas. Por outro lado os novos líderes desses países levaram seus discursos ao extremo sem favorecer um ambiente de negociação política. Venezuela, Bolívia e Equador são regidos por governos de esquerda após o colapso do sistema de partidos. No caso do Brasil, Uruguai e Chile os governos de esquerda chegam através do sistema partidário. Não há mediação institucional. No Equador os partidos que ficaram 30 anos no poder já saíram de cena nas últimas eleições da Assembléia Constituinte, dos 130 votos eles conquistaram 30. Na Venezuela o bipartidarismo que surgiu com o Pacto do Ponto Fixo não existe mais. Na Bolívia os partidos que governaram nos anos 90 estão enfraquecidos nacionalmente embora tenham certa força regional. A perda da capacidade de mediação das instituições antecedeu a chegada desses governos. Mas os conflitos na Bolívia, na Venezuela e no Equador são diferentes. A polarização não é tão grande no caso equatoriano. No caso equatoriano não há uma mobilização social da oposição como se viu nos últimos meses em Santa Cruz, Bolívia, como se viu com o referendo na Venezuela, para a reforma constitucional. Há conflitos e tensão política, sem haver uma polarização da ordem social.
Franklin Ramirez: 09
M: No caso do Equador, em que o presidente Correa será estado até junho, quando a nova constituição estiver pronta, você fala de uma guinada caudilhista. O que isso pode representar?
F: Todos esses processos têm ares caudilhistas, mesmo na esquerda “racional” brasileira, a figura de Lula é fundamental para o processo político. O PT teria alcançado essa força, sem a figura forte e carismática de Lula? Acho que não. Mas Lula existe em um sistema político consolidado, com partidos, com longa trajetória, com um Estado eficaz, com instituições, com tecnocracias consistentes independentemente dos limites que possa ter. Nos outros países os liderem chegaram ao poder, sem partidos ou com partidos novos e com estados obsoletos e debilitados pelo processo neoliberal dos anos 90. Além disso, os líderes caudilhos de esquerda se associam ao modelo presidencialista que impera na América Latina.
Franklin Ramirez: 10
M: Você acha que a liderança centrada numa pessoa, como no caso de Chávez, pode ser bem sucedida a longo prazo?
F: Aí está o limite dos processos vividos principalmente na Venezuela, na Bolívia e no Equador e até na Nicarágua. Isso tem a ver com a força de um líder transformador, caudilhista, forte que não é acompanhado de uma construção política da mesma envergadura. No Equador, Correa e seu governo deram poucos sinais de que queriam construir um movimento ou partido político amplo e moderno, que sirva de base para formar novas lideranças para se conectar à sociedade. É a figura do líder que conduz e guia o processo. O conjunto do modelo político tem três pilares: presidentes fortes, sociedade com altas possibilidades participativas e alto controle popular, com um corpo intermediário, os parlamentares e partidos, que por sua pluralidade, são a peça fundamental da soberania popular, do pluralismo político da sociedade. Esses processos de mudança não receberam ênfase em termos de estabilidade democrática isso pode ser perigoso. O que acontecerá quando os governos progressistas saírem de cena e não houver uma posição forte nos parlamentos? O que acontecerá com as novas lideranças sociais quando esses 3 ou 4 caudilhos deixarem o poder? Há um risco democrático e um risco de continuidade dos processos políticos.
Fim.
domingo, 25 de maio de 2008
Circuito dos poetas em Recife
Semana passada assiti na Globo News essa reportagem e gostei muito, acho que vale a pena acessar:
De Clarice Lispector a Chico Science, grandes artistas são lembrados nas ruas do Recife. São músicos, poetas, escritores que nasceram ou viveram na capital de Pernambuco e ganharam lugar cativo.
Cannes dá prêmio de melhor atriz a brasileira
A revelação brasileira Sandra Corveloni consagrada em CannesHá 4 horas
CANNES, França (AFP) — A brasileira Sandra Corveloni teve a carreira voltada para o teatro antes de encarnar uma comovente mãe de família em "Linha de Passe" de Walter Salles e Daniela Thomas, seu primeiro papel no cinema, pelo qual obteve neste domingo o prêmio de melhor interpretação feminina no 61º Festival de Cannes.
O prêmio é "totalmente inesperado porque o nosso é um filme coletivo, feito a quatro mãos, e um pouco como 'Rocco e seus irmãos' fala de cinco personagens; o sexto é a cidade de São Paulo", declarou Salles à AFP após a entrega de prêmios.
"Ver que grandes atores como Sean Penn, ou mesmo Jeanne Balibar ou Natalie Portman destacaram a atuação da atriz brasileira é emocionante porque sabemos quem é Sandra, uma atriz que nos pareceu extraordinária desde o primeiro teste", acrescentou.
"Isso aconteceu, principalmente, dez anos depois do prêmio de interpretação dado a Fernanda Montenegro em 'Central do Brasil' (no Festival de Berlim) e é incrível que este milagre pudesse se repetir", lembrou emocionado.
Walter Salles e Daniela receberam o prêmio em nome da atriz que não foi a Cannes, por ter perdido um bebê recentemente.
Daniela Thomas fez um pronunciamento em português, enviando uma mensagem de solidariedade à atriz.
Nascida em 1965 em São Paulo, Sandra Corveloni, uma morena de olhar voluntarioso, trabalhava no teatro até se juntar ao grupo de Eduardo Tolentino, atuando ao mesmo tempo como atriz e assistente.
Debutou no cinema em curtas-metragens "Flores Ímpares" de Sung Sfai e "Amor" de José Roberto Torero.
Em "Linha de Passe", ela faz o papel de Cleuza, mãe de família de um bairro popular de São Paulo, que vive às voltas com problemas financeiros, mas estando sempre disponível para seus filhos. Sua atuação sóbria e tocante emocionou o júri.
Rodado com um pequeno orçamento, o filme acompanha também as expectativas e os sonhos abortados dos quatro filhos de Cleuza.
Dario, por exemplo, queria ser jogador mas vê com angústia chegarem os 18 anos, que cortarão suas esperanças de tornar-se profissional; Dinho trabalha num posto de gasolina e freqüenta com assiduidade a igreja do bairro; Denis vai de uma namorada a outra e sobrevive.
O mais jovem, Reginaldo, sai à procura de um pai desconhecido que sabe ser motorista de ônibus.
Grávida de um quinto filho, Cleuza perde seu emprego de diarista, mas se dedica, com todas as forças, a embelezar o cotidiano de seus filhos.
Com este filme de ficção realista, comovente e sóbrio, o cineasta Walter Salles disse querer fugir da grande dramatização, evitando fechar seus personagens num determinismo social, mas com um olhar direcionado à juventude brasileira. Evita todos os tópicos sobre a juventude condenada à violencia.
A própria existência do filme é considerado um milagre porque não tem atores conhecidos mostrando, por trás das câmaras, uma equipe muito jovem, segundo os dois diretores.
Contador de Homicídios - Recife
Contador de Homicídios*
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sábado, 24 de maio de 2008
Essa semana, do Eta a Picasso!
Essa semana comecei a postar no blog a partir da notícia de prisão do líder do ETA. Então comecei a lembrar da época em que o Eta, as Farc, a Guerrilha do Araguaia e tantos outros movimentos eram simpáticos pelo ideal que nos tocava. Então comecei falando do "país basco", depois Guernica, e fiquei muito emocionada ao ler o manifesto do prefeito depois do ataque da segunda negra. E Guernica lembra Picasso. E Picasso tem tantas fases que só deu pra pincelar cada uma. Espero que tenham uma boa leitura.A fonte da parte de arte é o livro de História Geral da Arte, de H.W. Janson, em 3 volumes, o qual me acompanhou nas aulas de história da arte, e que gosto muito. Também foi fonte a coleção da Publifolha em que cada autor merece um livro, que gentilmente ganhei de uma amiga.Quem quiser passear de uma forma breve pela história de Picasso acessar:
Picasso: fase azul
Fase mais introspectiva. Durante o período azul, Picasso estilizou o desenho e abordou temas como o abandono, a solidão e a morte. Também produziu cenas ambientadas nos prostíbulos de Barcelona. Em 1903 viveu o ano mais fecundo dessa fase, quando pintou "A Vida", o auge do período azul.
A Vida - Picasso
197 x 127,3 cm
The Creveland Museum of Art, Cleveland(EUA)
Repleto de simbolismos, este quadro foi interpretado como uma alegria do amor sagrado e do amor profano (a tela confronta um jovem casal seminu e a uma mãe vestida com um bebê em seus braços), do ciclo da vida e da carreira do pintor moderno. Talvez mescle tudo isso, e o dedo o rapaz, como nas imagens de São João Batista, indique a mudança que será registrada na trajetória artística de Picasso.
Picasso: fase rosa

Aos poucos a frieza do azul cedeu espaço para cores mais quentes. Após uma série de obras de transição no final de 1904 Picasso retratou em várias telas os saltimbancos do circo Médrano, instalado próximo de seu ateliê.
A família de Saltimbancos - Picasso
1905
212,8 x229,6 cm
The National Gallery of Art, Washington (EUA)
Picasso: Les Deimoselles d'Avignon
Les demoiselles d'Avignon
1907
234,9 x 233,7 cm
The Museum of Modern Art, Nova York (EUA)
O título do quadro não se refere à cidade do mesmo nome, mas sim à rua de Avignon, em um bairro mal-afamado de Barcelona; Picasso tinha a intenção de representar uma cena de bordel, mas acabou fazendo uma composição de cinco nus e uma natureza morta. Mas que nus! As figuras indefinidas de Matisse em "Alegria de Viver"(quadro postado abaixo), parecem perfeitamente inócuas comparadas a esta selvagem agressividade.
Picasso tinha descoberto a estética da escultura da África e da Oceania, assim usou a arte primitiva como um aríete contra a concepção clássica de beleza.
A "destruição" é perfeitamente sistemática. Os ângulos do novo estilo foram chamados pelos críticos de "cubismo".
Picasso: para entender "Les Demoiselles"
1906
127,2 x 196,1 cm
The National Gallery, Londres (Grã-Bretanha)
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