sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Líder opositora de Mianmar recebe autorização para se candidatar

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A chefe da oposição democrática de Mianmar, Aung San Suu Kyi, anunciou nesta quinta-feira que seu partido, a LND (Liga Nacional para a Democracia), recebeu autorização oficial para concorrer às eleições de 1º de abril. A televisão do país confirmou a aprovação pela Comissão Eleitoral.
"Agora, teremos uma chance de participar oficialmente do processo democrático", afirmou o porta-voz do partido, Nyan Win, sobre a última etapa de um processo administrativo de vários meses, cujo resultado já não gerava mais dúvida.
A Nobel da Paz Suu Kyi não quis falar com a imprensa em Yangun sobre sua candidatura a uma das 48 cadeiras vazias nos Parlamentos nacional e regionais.
"Certamente vou me apresentar às eleições quando chegar o momento", declarou Suu Kyi em novembro em uma videoconferência em Yangun com o CFR (Conselho das Relações Exteriores) em Washington.
A "dama", como é conhecida Suu Kyi em Mianmar, não participa das eleições democráticas de seu país desde 1989, quando foi posta sob prisão domiciliar para impedir sua candidatura nos pleitos legislativos do ano seguinte, nos quais sua formação ganhou com maioria absoluta.

Soe Than Win/France Presse
Suu Kyi, líder opositora no Mianmar, discursa em festa de aniversário de recebimento do Nobel da Paz
Suu Kyi, líder opositora no Mianmar, discursa em festa de aniversário de recebimento do Nobel da Paz
Nas eleições parlamentares seguintes, em 6 de novembro de 2010, Suu Kyi continuou sob prisão domiciliar, uma semana antes de ser colocada em liberdade.
Mianmar passa agora por uma fase de reformas desde a dissolução da Junta Militar, em março de 2011, e a formação de um governo civil, embora esteja integrado em sua maioria por antigos generais e coronéis.
Suu Kyi passou a maior parte do tempo privada de sua liberdade desde 1990. Mas sua relação com o poder mudou muito após a eleição de novembro de 2010 e sua libertação foi determinada uma semana depois.
O governo do Mianmar, que sucedeu a junta militar em março, estabeleceu um diálogo com ela e seu grupo. A opositora já tinha indicado que se candidataria, pela primeira vez de sua vida, nas próximas eleições legislativas.
Nesta quinta-feira, durante uma entrevista para a emissora britânica de TV BBC, a prêmio Nobel da Paz exprimiu certo entusiasmo sobre as reformas em curso.
"Eu acredito que haverá eleições plenamente democráticas enquanto eu estiver viva, mas eu não sei por quanto tempo vou viver", declarou a ícone da oposição. Questionada sobre a possibilidade de concorrer à presidência, a opositora respondeu: "eu nem seu mais o que eu desejo fazer".
Suu Kyi deve se reunir com o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, que está em uma visita oficial no país na esperança de reforçar o movimento de reformas impulsionadas pelo novo regime.

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